Aqui está porque se fantasiar de “negão do WhatsApp” é racista!

A Folha de S.Paulo divulgou nesta sexta, dia 5, esta notícia, confirmando uma história que estava circulando no Twitter.

O personagem de humor nasceu no Whatsapp, circula há mais de ano na internet, já gerou polêmica antes e reforça o estereótipo racista do homem negro sexualizado e animalizado.

A decisão dividiu opiniões, mas muitas pessoas consideraram justa a demissão por não se tratar de uma brincadeira, mas sim de uma manifestação de racismo.

 

Mesmo que ter um „pau grande” seja visto como algo positivo para muitos homens, esse é um estereótipo utilizado por brancos para dominar negros durante a história.

Nos Estados Unidos, os proprietários de escravos chamavam os homens negros que se encaixavam neste estereótipo de „The Black Bucks” (O Mandingo, em tradução livre para o Português).

A historiadora Suzane Jardim explica que eram chamados de „mandigos” os negros escravos considerados perigosos e indomáveis. Havia também a ideia de que esses homens deveriam ser contidos por terem instintos sexuais que poderiam perverter filhas e esposas dos senhores brancos.

Mas esse tipo de pensamento sobre homens negros não era exclusividade dos Estados Unidos. Apesar de não termos criado um personagem especificamente dentro desse estereótipo no período da escravidão, a ideia se manteve e se adaptou com o tempo.

O homem negro sexualizado aparece diversas vezes na teledramaturgia brasileira.

Na série „Retrato de Mulher” (1993), o ator Norton Nascimento deu vida ao Josemar, um conquistador que tinha até freiras como suas vítimas. Na novela „Em Família” (2014), o ator Marcello Melo Jr. interpretou o pilantra e maníaco sexual Jairo.

E mais recentemente, na novela „Liberdade Liberdade” (2016), o ator David Junior interpretou um escravo sexualizado.

Que como ele mesmo disse, „não tinha nem roupa”. O „negão do Whatsapp” é a prova disso tudo. O pênis exagerado do personagem reforça a imagem animalizada e hipersexualizada do negro.

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